quinta-feira, 25 de junho de 2009

Neudo Campos defende entrada da Venezuela no Mercosul

O deputado Neudo Campos (PP/RR) defendeu a entrada da Venezuela no Mercosul, já aprovada na Câmara e aguardando votação no Senado. Para ele, deixar o país de fora do bloco econômico é um isolamento equivalente ao que os Estados Unidos impõem a Cuba. Campos mostrou preocupação com a demora do Senado em analisar o projeto com o Protocolo de Adesão da Venezuela ao Mercosul e salientou que o texto foi aprovado na Câmara no ano passado. De acordo com o deputado, alguns senadores são contra a adesão do país, por considerar que o comportamento do presidente Hugo Chávez é antidemocrático. Para o deputado, a ampliação do Mercosul não pode ficar atrelada a apenas uma pessoa. “Um presidente não pode ser confundido com seu país”, disse Campos. Ele destacou que a Venezuela é o país sulamericano com maior experiência democrática, pois elege seus presidentes desde 1958. Nesse período, lembrou, os países do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) passaram por golpes de estado e ditaduras militares. Na avaliação do deputado, a entrada da Venezuela vai dar mais dinamismo econômico ao bloco e beneficiar as regiões fronteiriças, como Roraima. Ele afirmou também que, após a Venezuela, o bloco deve firmar acordos com os outros países da região. “O grande êxito do Mercosul seria a criação da área de livre comércio da América do Sul. Isso fortaleceria o Brasil”, avaliou. O deputado criticou a Petrobras por ter vetado proposta do presidente Chávez de fornecer combustível subsidiado a Roraima, onde os preços estão entre os mais altos do País. Para ele, a importação seria uma oportunidade “única” para o estado crescer.

Crise no comércio - Além do Mercosul, o deputado falou do relatório que apresentou na semana passada na comissão especial que discute os efeitos da crise econômica no comércio. Neudo Campos fez um resumo do texto e destacou os principais pontos. Um deles é a sugestão que será encaminhada ao governo para redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nos empréstimos. Para o deputado, é um contrassenso o governo manter esse tributo no momento em que o crédito escasseia no País. A redução do IOF, segundo ele, abriria espaço para a queda dos juros bancários. Campos salientou ainda o projeto incluído no relatório que transfere para o Banco Central a fiscalização das administradoras de cartão de crédito no país. Ele afirmou que o setor, um dos mais concentrados da economia brasileira, não está sob o controle de nenhum órgão. Ao ficar sob a guarda do BC, ele espera mais concorrência entre as empresas e bancos. O parlamentar adiantou também que seu parecer traz um projeto que permite ao comerciante antecipar o valor das vendas feitas com cartão. Hoje, o lojista recebe depois de 30 dias. Nos Estados Unidos, segundo o parlamentar, o prazo é de apenas dois dias. “Isso penaliza o lojista”, avaliou.
Fonte: Jornal da Câmara

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